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Vital Evaristo – pescador

Vital Evaristo, vulgo Vitalo, são-tomense de origem angolar, nascido em 1946 em Vila Malanza. Aos 13 anos aprendeu as artes da pesca com o seu pai, e aos 14 anos já possuía a sua própria canoa. Antes da independência de São Tomé e Príncipe em 1975, foi contratado para trabalhar na roça de Porto Alegre, no entanto, a sua grande paixão sempre foi o mar e quando podia voltava a ele para pescar. Tem 9 filhos e 56 netos e bisnetos, alguns seguem a sua profissão, dando assim continuidade a toda uma geração de pescadores. Vitalo somente se sente bem na praia ou à beira do rio.

Vital Evaristo  – The fisherman

Vital Evaristo, aka Vitalo, was born in 1946, in Vila Malanza, from “angolar” origin. At the age of 13, he learned to be a fisherman like his father and when he was 14, he had already is own canoe. Before STP became independent in 1975, Vitalo was hired to work in Porto Alegre farm, but he has always been passionate about the sea and every time he had an opportunity we went fishing. Vitalo has 9 sons and 56 grandsons and great-grandsons, some of them are fishermans as well. He only feels well on the beach or on the river shore!


Cleiny palaiê de peixe

Cleiny Assunção Espírito Santo, são-tomense, nascida em 1998 em Porto Alegre, estudante. Desde os 12 anos que auxilia a mãe como palaiê de peixe. O trabalho de uma palaiê inicia-se com a compra do peixe na praia aos pescadores, depois é escalado, tirando-se as entranhas sem, contudo, retirar a pele e as escamas. Após este processo passa-se o peixe por sal e, posteriormente, é colocado num alguidar em camadas de peixe e sal, ficando a absorver durante a noite. De manhã, coloca-se o peixe ao sol sobre uma estrutura elevada de madeira e canas, e em dois dias o peixe fica salgado, pronto a ser vendido e consumido. Cleiny pretende prosseguir os estudos, ter um emprego estável e contribuir para o desenvolvimento da sua comunidade.   

Cleiny – palaiê of fish

Cleiny Assunção Espirito Santo, a student from STP, was born in 1998 at Porto Alegre. Since she was 12, she helps her mother as palaiê of fish. The work of a palaiê starts with the purchase of fish, at the beach to the fishermen and then the fish is opened and gutted without removing the skin and the scales. After all the fish is salted, it is placed in a big plastic bowl, for one night. In the morning, the fish is placed in the sun, on a high structure made of wood and reed and, in two days, the fish is enough salted and ready to be sold and consumed. Cleiny wants to study more, have a stable job and to contribute to the development of her community.


Adolfo Freire

A roça de Porto Alegre foi fundada em meados do séc. XIX por Jacinto Cordeiro de Sousa, visconde de Malanza, em terras de selva virgem, que este desbravou para a cultura do cacau e de plantas exóticas. Mas a maior exploração da Roça foi, e ainda é, o coco e os seus derivados, como a copra e o óleo de coco. 

Adolfo Freire, natural da ilha de Santiago, Cabo Verde, nasceu em 1940. Chegou à Roça de Porto Alegre em 1958, para ser coordenador da secção de tecnologia, onde controlava a secagem dos produtos que eram enviados para Portugal – coco, cacau, café, banana, entre outros. Em 1973 viajou até Portugal para trabalhar e regressa novamente a São Tomé em 1975 para junto da família. Em 1984 foi nomeado feitor de agricultura no ilhéu das Rolas, cargo que exerceu até 2013. 

Actualmente olha para Porto Alegre com esperança de desenvolvimento e de união entre os habitantes da comunidade. Gostaria de ver implementado um mercado mais amplo, que permitisse o escoamento dos produtos agrícolas produzidos pelos agricultores locais. Recorda com saudade o respeito e a disciplina do antigamente.

Adolfo Freire

Porto Alegre Farm was founded in the middle of the XIX century by Jacinto Cordeiro de Sousa, Viscount of Malanza. He cleared the wild and virgin land for the cultivation of cocoa and exoctic plants. But the greatest exploitation of the farm was, and still is, coconut and its derivatives, such as copra and coconut oil. 

Adolfo Freire, native of Santiago Island – Cape Verde, was born in 1940. He arrived at Porto Alegre Farm in 1958, to coordinate the technology section to control the drying of products sent to Portugal – coconut, cocoa, coffee, banana, among others. In 1973,   he traveled to Portugal to work but returned to his family in São Tome in 1975. In 1984, he was nominated administrator of Rolas islet and worked until 2013. 

Nowadays, he sees Porto Alegre with hope in its development and in the union among the inhabitants of the community. He would like to see the implementation of a larger market, which would allow the disposal of agricultural products produced by local farmers. He misses the respect and the discipline from the old days.


Surf Bôdo Plê

O grupo Surf Bôdo Plê (surf perto da praia) surgiu da prática informal do surf pelos jovens da comunidade de Porto Alegre. Desde 2013, e com o apoio da ONGD portuguesa Leigos para o Desenvolvimento, este grupo reúne-se de modo a impulsionar a prática deste desporto a nível local e nacional, através da organização e participação em torneios de surf, aulas de surf, limpeza de praias, entre outras actividades. O grupo procura também apoiar e estimular o espírito de iniciativa e empreendedor dos jovens, a adopção de hábitos salutares e a valorização do património imaterial da comunidade em que se insere. Simultaneamente, tem contribuído para a promoção do sul da ilha de São Tomé, como um local de beleza natural ímpar e privilegiado para a prática do surf. 

Surf Bôdo Plê 

The group Surf Bôdo Plê (surf near the beach) emerged from the practice of surfing by young people of Porto Alegre community. Since 2013, and with the support of the Portuguese NGO Leigos para o Desenvolvimento (Lay for Development), this group meets to encourage the practice of this sport, at a local and national level, organising and participating in surf contests, giving classes, cleaning several beaches among other activities. The group also seeks to support and stimulate the enterprising spirit of young people, encouraging healthy habits and valuing the intangible heritage of their community. At the same time, the group contributes to promote the south of Sao Tome Island as place of a rare natural beauty and as a privilege site for surfing.


Ney – chef de cozinha, pescador e agricultor 

Manuel Sousa Pedro, vulgo Ney, são-tomense, nasceu em Porto Alegre em 1970. Filho de pais cabo-verdianos que chegaram a São Tomé em 1954. Considera-se cozinheiro, pescador e agricultor. Apesar de gostar muito do ramo da restauração, pois aprecia o convívio com os clientes e acredita no turismo como área privilegiada para o desenvolvimento do país, a sua maior paixão é a agricultura. Considera esta a actividade mais completa que aprendeu com os seus pais ainda em criança. Chef de cozinha desde 1995, tem aperfeiçoado a arte com outros mestres cozinheiros e com a sua família. Desde 1998 é proprietário da Casa Salutar, nome escolhido por simbolizar saúde, conforto e higiene. Os ingredientes favoritos para os seus pratos são as folhas aromatizadas, o peixe e o polvo. A sua cozinha é natural, rica em cor e sabor. 

Ney – chef, fisherman and farmer

Manuel Sousa Pedro, aka Ney, was born in Porto Alegre in 1970. He is son of cape verdean parents who came to Sao Tome in 1954. He calls himself chef, fisherman and farmer. Although he really enjoys the hospitality sector, because he appreciates the good relationships with customers and believes that Tourism is a key area to develop the country, Ney is passionate about agriculture. He considers this activity the most completed that he learned with his parents. As Chef since 1995, he has been learning and improving with Master Chefs and with his family. Since 1998 he is the owner of the restaurant Casa Salutar, name that means health, comfort and cleanliness. His favourite ingredients for the dishes are flavored leaves, fish and octopus and his cuisine is natural, colourful and rich in flavor. 


Nha Alexandra – produtora de café 

Alexandrina Maria Gomes Rocha, vulgo Nha Alexandra, cabo-verdiana, nasceu em 1942. Chegou a São Tomé em Dezembro de 1959 para trabalhar na roça de Porto Alegre. Produtora de café, aprendeu a arte com a sua mãe quando tinha 12 anos. O processo envolve várias etapas – apanham-se na árvore os bagos maduros, colocam-se no pilão para separar a casca, após serem postos a secar ao sol são novamente pisados, limpos e torrados no fogo e, por último, pisam-se para obter o pó de café. O café por si produzido destina-se ao consumo próprio e à venda para a comunidade na sua casa e em lojas locais.  Nha Alexandra apanha café por paixão, enquanto houver um bago maduro para apanhar não irá parar de trabalhar. 

Nha Alexandra – coffee producer 

Alexandrina Maria Gomes Rocha, aka Nha Alexandra, from Cape Verde, was born in 1942. She came to Sao Tome in December 1959 to work in Porto Alegre farm. As coffee producer, she learned how to do it with her mother when she was 12. The process involves several steps: Firstly, the mature berries are picked up from the tree and crushed in the pestle to be separated from the bark. Then, after being put to dry in the sun, they are again trodden, cleaned and roasted and, finally, trodden again until they become powder. Nha Alexandra is passionate for picking up coffee beans! As long as there are mature berries to be picked up, she will never stop working!


Jacinto – padaria Deus Proverá

Jacinto Correia da Silva, descendente de pais cabo-verdianos, nasceu em 1959 na ilha do Príncipe.  Padeiro desde 1980, começou a fazer pão no forno de casa para adquirir experiência, e em 2008 construiu esta padaria artesanal de forno a lenha, onde diariamente coze pão para as comunidades de Porto Alegre. Apesar de considerar ter escolhido uma profissão “que não tem tempo”, pois é necessário haver pão fresco todos os dias, sente-se realizado e feliz com a sua opção de vida profissional e tem gosto em ensiná-la aos seus filhos e netos que o vão ajudando. Além da padaria, complementa a sua actividade com o trabalho na agricultura. 

Jacinto – bakery Deus Proverá 

Jacinto Correia da Silva, son of cape verdian parents, was born in 1959 at Principe Island. Since 1980 he is a baker and he started to bake bread at home to gain experience. In 2008, he built a wood oven bakery shop, called Deus Proverá (God will Provide), where he bakes bread on a daily basis to the communities of Porto Alegre. Although he considers having chosen a profession that “does not have the time”, because it is necessary to have fresh bread every day, he is happy to teach it to his sons and grandsons, who helps him at the bakery shop. Jacinto is also a farmer.


Aromas do Sul – grupo de sabão

Com produção na comunidade de Ponta Baleia, antiga dependência da roça de Porto Alegre, o grupo de sabão Aromas do Sul é um negócio social, criado em 2017 por cinco senhoras empreendedoras e formadas localmente, resultante de uma parceria com a ONGD portuguesa Leigos para o Desenvolvimento. O sabão é produzido artesanalmente em moldes e seguindo a receita tradicional, adoptada na roça na época colonial. Este negócio procura incentivar o empreendedorismo e a autonomização da mulher, promovendo negócios sustentáveis que beneficiem as próprias mulheres e, consequentemente, o desenvolvimento das comunidades em que se inserem. 

Aromas do Sul – soap group

The group Aromas do Sul (fragrances from the south) is a social business, established in Ponta Baleia Community, at the old Porto Alegre farm. The group was created in 2017 by five entreprising ladies, that were trained locally, as a result of a partnership with the benefiting Portuguese NGO Leigos para o Desenvolvimento (Lay for Development). The soap is artisanal produced, following the traditional formula, adopted in the farm in colonial times. The business seeks to stimulate women’s entrepreneurship and autonomy, promoting sustainable businesses, benefiting women and, consequently, the development of their own communities. 


Grupo de Bulaué Opésauê 

O grupo de Bulaué de Vila Malanza, mais conhecido por Opésauê, iniciou-se em 1979/80. Desde a sua formação inicial já teve várias constituições até aos dias de hoje. A formação actual conta com 10 membros e foi constituída em 2014 por Claudino Diogo, actual responsável, com o apoio da Câmara Distrital de Caué para a compra dos instrumentos. O bulauê é uma conversa, em que os homens tocam e cantam e as mulheres respondem e dançam. A voz e a percussão são os instrumentos utilizados na composição musical.

Bulaué group Opésauê

The Bulaué group of Vila Malanza, aka Opésauê, started in 1979/80. Since the beginning, it has changed up to now. Today, the group has 10 members and, in 2014, was gattered by Claudino Diogo, currently in charge, with the support of Caué District Council in the purchase of musical instruments. Bulaué is a conversation, where men sing and play the instruments and the women respond and dance. Voice and percussion are the instruments used in the musical composition.


Sabores do Sul – farinha de mandioca

O grupo Sabores do Sul – unidade de transformação de farinha de mandioca, surgiu em 2012 com o apoio da ONGD portuguesa Leigos para o Desenvolvimento. Actualmente, funciona autonomamente através da dedicação dos seus membros, quatro senhoras empreendedoras que semanalmente se encontram para produzir a farinha de forma artesanal. A mandioca, após ser descascada e lavada, é ralada e prensada para depois ser torrada lentamente num tacho de cobre, aquecido com lenha de bambu. Este negócio procura fomentar o empreendedorismo e a autonomização da mulher, promovendo negócios sustentáveis que utilizem os produtos da terra, beneficiando as próprias mulheres e, consequentemente, as comunidades de Porto Alegre.

Sabores do Sul – manioc flour

The group Sabores do Sul (flavours from the south) – a manioc flour processing unit – arose in 2012 with the support of the Portuguese NGO Leigos para o Desenvolvimento (Lay for Development). Nowadays, it operates autonomously with 4 enterprising ladies, that on a weekly basis, get together to produce the flour in an handmade way. The manioc, after being peeled and washed, is grated and pressed and slowly roasted in a copper pan, heated over bamboo wood.  The business aims to promote women’s entrepreneurship and autonomy, encouraging sustainable businesses to use local products, benefiting women and, consequently, Porto Alegre communities.    


Mergulhadores – pesca de búzio

A apanha de búzio no mar é normalmente feita por jovens, com recurso ao mergulho em apneia. Mergulham entre 8 a 12 metros de profundidade e apanham cerca de 25 kg do molusco por mergulho. Os búzios destinam-se para venda à população local e aos resorts turísticos. Jo, um dos jovens mergulhadores, afirma que todos os dias tem que ir ao mar, mesmo que não vá pescar, simplesmente para o mar o ver…

Divers – whelk fishing 

Fishing whelk in the sea is usually done by young people, diving without a self-contained breathing equipment. They dive between 8 and 12 meters deep and catch almost 25 kilograms of mollusc per dive. The whelks are sold to locals and in tourist resorts. Jo, one of the young divers, says that every day he has to go to the sea, even if he does not go fishing, only to be seen by the sea…